Eu só queria uma mesa
faculdade da vida – pensamentos forjados em 21 anos de empreendedorismo

fev
08

 Às vezes não acreditamos que somos capazes, mas basta sermos desafiados para que as forças surjam e nos surpreendamos positivamente. Por mais que nos conheçamos, subestimamos nossa capacidade de enfrentar os desafios, ficamos preocupados com o que irão achar de nossas performances, temos verdadeiro pavor de nos expor, e assim acabamos deixando de lado inúmeras oportunidades em que poderíamos nos destacar ou até mesmo enfrentar olho no olho os nossos limites.

No fundo é uma mistura de medo, falta de atitude e um pouco de comodismo. Precisamos todos os dias, para o nosso próprio bem e desenvolvimento, ser corajosos e vencer os desafios que nos amedrontam. Precisamos encarar os fantasmas e assim ultrapassar barreiras e superar nossos próprios limites.

Relembro um dia em que as circunstâncias me encostaram num canto e  a última saída – se não quisesse fugir, deixar escapar, omitir – era encarar.  Como optei por encarar o desafio daquele momento, percebi que era capaz de vencer muitos outros. E foi o que ocorreu. Porque o primeiro passo havia sido dado, aprendi a lidar com circunstâncias adversas. E hoje, se existe uma coisa que me provoca, é ser desafiado a fazer algo que pareça impossível ou uma situação em que me sinta subestimado pelo provocador.  Não sei, é uma mistura explosiva de raiva, gana, garra, um sentimento de provação e superação. Não devo ser o único a pensar e a sentir dessa forma, penso que muitos sentem ou já passaram por situações semelhantes.

Longe de nós o orgulho bobo, que disfarça insegurança. Longe de nós o  conformismo, a crença de que nossos limites se definiram, o aprisionamento em cenários criados por nós mesmos. Por que não demonstrar que temos sangue nas veias?

Todos nós podemos mais, todos nós sabemos mais e todos nós, no fundo, queremos mais. Mas o sentimento simples de querer jamais nos levará a algum lugar.  Somente a vontade e a atitude é que realmente poderão nos levar a ir além dos nossos próprios limites. Somente o merecimento suado contemplará o sucesso permanente. Chegar lá é somente a primeira etapa de uma escalada sem fim…

Marcelo Ponzoni

jan
29

Na ficção, uma linda historinha de criança; na vida real, uma grande verdade velada.

Espelho, espelho meu, existe alguém mais esperto, mais sábio, mais exuberante, mais perspicaz, mais corajoso, mais inteligente, mais astuto, mais tudo de bom do que eu?

Diz o espelho: SIM… existem muitos outros!!!

Assim como numa historinha de criança, não damos grande atenção ao que ouvimos, ignoramos a verdade, e nossa vida segue com as falsas verdades que criamos dentro do nosso pequeno universo de contos de fada.

A vida nos deu a capacidade de, com aparentemente dois pequenos olhos, enxergar a imensidão do mundo; com dois ouvidos, escutar todos os sons que nos rodeiam e, através das mãos, da boca e do nariz, sentir a totalidade das percepções que nos rodeiam, uma verdadeira massa de informações que nos são entregues todos os dias, a fim de compilarmos e assim definirmos nossos valores, nossas verdades, nossos princípios.

O fato de podermos interagir dessa maneira com a imensidão do espaço às vezes nos leva a acreditar, ilusoriamente, que somos mesmo do tamanho de tudo aquilo que estamos vendo e sentindo, e não parte integrante de todo este universo. Esquecemos às vezes que nossas virtudes, advindas da relação com o universo, são capacidades comuns a todos… Acabamos tendo uma falsa sensação de poder sobre alguns grupos, poder que é simplesmente produto de nossa própria imaginação.

Pare um minuto e avalie suas relações com os outros. Seja frio nesta hora: é só um exercício muito íntimo. Entre as pessoas que estão a seu redor, por quais delas você realmente faria algo de coração, com vontade, por reciprocidade, sem ter o mínimo interesse? Agora faça o inverso: quantas pessoas você acredita que fariam o mesmo por você com tamanha sinceridade?

Vamos mais longe. Avalie dentre essas pessoas quais são aquelas por quem você tomaria atitudes voluntárias e quais são as que também tomariam essa atitude  por você, quais os motivos que o levam a isso e vice-versa… o que você fez para merecer isso e vice-versa… quanto o poder da hierarquia tem a ver com isso e vice-versa…

Quando começamos a formular essas questões, sentimo-nos como se alguém nos tivesse encostado na parede… começamos a refletir de fato sobre o que é que estamos realmente fazendo em nossos dias —com nossos dias e dos nossos dias —, como estamos nos comportando… o que construímos até o momento… o quanto tudo isso tem a ver com o nosso sucesso ou com o nosso insucesso… quanto tudo isso reflete na nossa felicidade e na nossa paz de espírito.

De uma coisa eu tenho certeza: você começará a ver que a resposta do seu espelho não está tão errada como você imaginou.

No fundo somos iguais nas ações e nas percepções —uns mais ativos, outros menos…; uns menos sensíveis, outros mais… —, fazendo com que nossas conquistas, positivas ou não, sejam 100% reflexos de nossas atitudes, as quais, por sua vez, são de nossa única, exclusiva e total responsabilidade.

Marcelo Ponzoni

dez
22

Uma das coisas mais naturais no dia-a-dia das empresas são as constantes desavenças e os intermináveis conflitos. Eles, com o tempo, acabam contaminando ambientes e por diversas vezes excluindo das corporações pessoas que, no fundo, são altamente capacitadas e talentosas.

Quando observadas de fora, vê-se que essas situações não passam de falta de habilidade nas negociações interpessoais. Saber fazer negociar nesse nível é de suma importância, não só para o bem-estar dos que estão envolvidos como para o bem-estar geral.

Todas as ações dos seres humanos consistem na tentativa de uma aquisição, seja ela material, seja emocional. Quer queiramos, quer não, a linguagem é sempre intencional. Quando iniciamos nossa fala, já direcionamos o processo de solicitação de algo que queremos, uma opinião ou uma crítica. A forma como construímos nossas frases e o modo como são pronunciadas interferem sobremaneira na forma como a mensagem é recebida. Partindo do princípio de que ”existem várias maneiras de se dizer a mesma coisa”, não custa começarmos a fazer esse exercício que pode nos ajudar muito em nossas relações no trabalho, na família, no nosso grupo social.

Nesse sentido, temos muito a aprender com o pessoal de vendas. Um vendedor jamais irá dizer NÃO, de saída, quando o comprador inicia uma negociação, assim como um comprador não virará as costas imediatamente assim que ouvir o primeiro preço anunciado pelo vendedor. O diálogo sempre se estende, e isso ocorre porque as duas partes estão interessadas no processo: de um lado o vendedor, que quer efetuar a venda; de outro o comprador, que quer efetuar a compra. E não é outra a situação que ocorre nas empresas —há necessidade de se vender um determinado produto —,  mas como os que ali trabalham não entendem o processo desta maneira, começam os conflitos nas relações interpessoais.

O problema pode estar só com um dos envolvidos no processo, o que pode ser detectado quando se ouve não apenas uma, mas várias pessoas que precisam negociar com ele. Se várias opiniões confirmarem o que é dito a respeito de uma pessoa, melhor chamá-la e mostrar-lhe, em tom de conversa adequado, como os conflitos podem ser resolvidos. Às vezes, a pessoa vista como “difícil” não se deu conta de que, mesmo entre os pares, dentro de uma equipe, precisa haver negociações. Elas não são exclusivas do processo comercial de compra e venda

Quem conhece o ritmo de uma agência de publicidade sabe o que significa o fator tempo. Se o o atendimento aceita uma solicitação de um cliente com a máxima urgência, mesmo sabendo que internamente a agência está no limite de sua capacidade, precisará de muita habilidade para negociar com seus pares. Precisa também estar preparado: certamente será “apedrejado de maneira rude e grosseira”, assim que iniciar o processo de solicitação dentro da agência, se não souber escolher as palavras certas, se não amenizar o tom ao falar com seus pares. Afinal, atender ao cliente, prestando-lhe o serviço solicitado, assegura a sobrevivência de todos dentro da agência. Logo, há necessidade dos envolvidos gerarem abertura na negociação, para que tudo se concretize da melhor forma possível..

As negociações interpessoais necessitam de um enorme bom senso: ora você é o comprador, ora o vendedor; ora você perde, ora ganha. Ponto básico nessas negociações é o extremo respeito e o sentimento de vontade das partes, já que, de um lado,  há um “eu quero muito e preciso comprar” e, de outro, um “eu quero muito e preciso vender”.

Tudo parece muito simples, e o é, desde que as pessoas estejam comprometidas com a permanência do bom relacionamento entre todos da empresa.

Ser bom em relacionamentos é ser um bom negociante. Sendo assim, vamos às compras, que as vendas com certeza serão bem-sucedidas.

Marcelo Ponzoni

dez
09

Algumas pessoas costumam se questionar (ou questionar outras que estão a seu lado): como transformar um sonho em realidade? Por que algumas pessoas conseguem pôr em prática o que idealizam e outras passam anos sonhando com algo que não conseguem realizar?

Há os SONHADORES e os REALIZADORES DE SONHOS. A diferença básica entre os SONHADORES e os REALIZADORES DE SONHOS está justamente em como eles se relacionam com os sonhos.

Há os que entendem seus sonhos como flashes de imagens de uma realidade futura em formação e, apesar de vê-los de uma maneira muito realista , preferem guardá-los em seu subconsciente para resgatá-los de vez em quando, relembrando deles vez ou outra ou modificando-os conforme os acontecimentos resultantes de algumas decisões e atitudes. Esses são os sonhadores: permanecem com a falsa sensação de viver algo real, mas não necessariamente parte da realidade; guardam seus sonhos somente para si, imaginando que alguém possa roubá-los.

Já o REALIZADOR DE SONHOS decide-se pela atitude imediata, compartilha e vende seu sonho a todos, procurando envolvê-los e, assim, ganhar seguidores.

O SONHADOR eleva seus sonhos a patamares praticamente intangíveis. O REALIZADOR DE SONHOS, por sua vez, desenvolve uma seqüência de sonhos a partir de atitudes e concretizações sucessivas e mutantes, amarradas a um sonho macro que, normalmente, não tem fim, pois cada realização de um sonho o faz sonhar com mais intensidade, cultivando dentro de si a autoconfiança e a convicção, como um círculo vicioso de sonho.

O SONHADOR questiona as oportunidades e os ambientes em que está inserido; o REALIZADOR DE SONHOS cria as oportunidades para gerar seus próprios resultados, retirando de seu ambiente as melhores capacidades que possam realmente auxiliá-lo na concretização de seus sonhos.

Finalmente, o SONHADOR, com o passar do tempo, se deprime, pois alimenta a crença de uma conquista mágica e repentina, enquanto o REALIZADOR DE SONHOS constrói seu sonho um degrau por vez, dia após dia, exercendo somente o papel de guia. A velocidade das decisões e a praticidade das atitudes definem a velocidade das conquistas.

E você… o que é? Um SONHADOR ou um REALIZADOR DE SONHOS?

Marcelo Ponzoni

dez
08

Acordo. Mais um dia. Tentarei fazer dele o melhor de todos: melhor que ontem, mas não tão bom quanto o de amanhã. Olho no espelho e já consigo me vender algo. Como se comprasse a mim mesmo, num exercício matinal de auto-estima e autoconfiança. Sigo alguns rituais. Tomo um ótimo banho e me sinto realmente higienizado de corpo, alma e mente. Leio as primeiras informações para ter conhecimento de alguns assuntos e estar apto para ter o ponto de vista no momento adequado.

Gerar idéias e aproveitar oportunidades de contatos com alguns temas que sejam de interesse comum com prospects ou clientes ou, até mesmo, para agitar o networking. As oportunidades em minha vida sempre ocorreram em dias em que acordei extremamente entusiasmado. Em que procurei fazer todas as minhas atividades com excelência, focado no aproveitamento da oportunidade que ali estava. Com o tempo, passei a pensar em que consistia a diferença de as ter em determinados dias e em outros não. Mesmo sem ainda ter absoluta certeza se era ou não a forma de pensar que fazia a diferença, fui me policiando a ver todos as dias como se fosse o meu primeiro, ou o único, ou o grande dia da oportunidade. Confesso que, a partir do momento em que comecei a pensar e a agir desta forma, minha vida mudou. Dias de oportunidades verdadeiras eram aqueles de pensamentos extremamente positivos. Então os outros também começaram a ser dias de construção de oportunidades.

Todos os dias me sinto crescer, abrindo novas oportunidades, aprendendo com os inúmeros erros que cometo, sem culpa, mas com enorme responsabilidade. Desbravar um novo dia é papel fundamental do vendedor que tem paixão pela arte de envolver, conquistar e literalmente vender algo que, na maioria das vezes, é uma venda intangível, que aparentemente não se concretiza no momento, mas que solidifica um alicerce da venda futura que irá acontecer para quem acredita que a venda esteja muito próxima. É só uma questão de tempo. Sou convicto e confiante no meu futuro. Ele já está desenhado. Sorte de quem estiver comigo! Amo vender, sou um vendedor e me orgulho desta função com os resultados que a vida me ofereceu.

Marcelo Ponzoni

dez
04

 

Que bom seria se tivéssemos a imensa humildade de perceber nossas deficiências e mudanças comportamentais! Que bom seria se conseguíssemos ouvir todas as críticas construtivas à nossa pessoa e assim reavaliar nossas atitudes! Que bom seria se a mudança de patamares financeiros e hierárquicos não alterasse nossos comportamentos! Mas a vida não nos proporciona essas possibilidades e, sendo assim, cabe a cada um de nós se auto-avaliar freqüentemente e decidir se suas ações e comportamentos estão adequados e alinhados com aqueles que realmente são importantes.

Todos nós observamos o próximo e fazemos avaliações com base em nossos gostos e valores e muitas vezes julgamos as pessoas pela maneira que acreditamos ser a melhor para nós. Dentro de uma empresa, todos observam todos, todos avaliam todos, todos colocam todos em paredões cobertos de referências e, assim, acabam julgando cada um de maneira totalmente diferente do que julgam uma outra pessoa de suas relações. Prova de que julgamentos são avaliações muito particulares e que podem ser prejudiciais dentro de uma sociedade, principalmente nas menores.

Existe em todas as sociedades uma grande competição, que, embora não declarada, ocorre todos os dias. Essas competições são confusas:  por não serem declaradas, não há regras nem objetivos claros, e muito menos juízes. Às vezes os competidores brigam por determinadas posições que nada têm a ver com o jogo, pois os anseios muitas vezes diferem.

Assim como as competições são veladas, os resultados também são, e é nesse momento que a influência da conquista isolada de uma competição começa a afetar as percepções da sociedade, pois a vitória funciona como um divisor de águas, seja para uma pessoa física, seja para uma jurídica. A vitória traz com ela o prazer, a euforia do ego, a auto-segurança, o aumento da convicção, mas, paralelamente, sem que o campeão perceba, muitas vezes traz a arrogância, o sentimento de superioridade. O nariz empina, a voz engrossa, o peito incha… e de maneira natural, pois nossas reações são naturais e instantâneas.

Após todas essas transformações, existe algo que também muda muito, que é a percepção do próximo. E de maneira natural mudam também os julgamentos. Ser imune às mudanças comportamentais diante das vitórias e das derrotas é algo que necessita de muita atenção e autocrítica.

A grande e única verdade é que somos humanos, com características e reações semelhantes. A vida nos proporciona estudar e aprender com a sucessão de fatos e acontecimentos que deflagram em nós todos os tipos de reações e percepções. Vivenciar esse aprendizado com atenção e tirar dele grandes lições é o nosso desafio.

Refletir sobre esse assunto pode ser um bom exercício para o nosso desenvolvimento e amadurecimento. Coloque-se no paredão, ao invés de colocar o próximo. Se a competição, as regras e as conquistas são veladas, fique atento para que suas atitudes e decisões não agridam os outros.

A grande virtude do GANHADOR é voltar a se sentir um LUTADOR, e não um CAMPEÃO. Quanto mais um LUTADOR ganha, mais respeitosa deve ser sua LUTA.

Cuidar das reações imediatas é cuidar das percepções alheias.

Marcelo Ponzoni

nov
25

Os grandes vitoriosos têm algo em comum: todos eles foram desafiados e aceitaram os desafios, fossem eles positivos ou negativos. Muitas vezes somos motivados por desafios negativos de familiares, amigos, chefes e até mesmo de uma nação inteira, ainda que sejam afirmações de incompetência, de desqualificação, entre outras. Esse tipo de situação cria dentro de alguns de nós uma adrenalina produtiva e incansável, algo que é inesgotável, que rompe barreiras, que apaga da mente sentimentos como cansaço, desestímulo, insegurança, impaciência e mesmo a noção de limite, até que o objetivo seja conquistado. Quem de nós não tem alguns espinhos entalados na garganta, capazes de surpreender até a nós mesmos? Eu, por exemplo, tenho muitos. Até já consegui eliminar alguns, mas aqueles que ficaram me ajudam a superar diversas barreiras e, quando me sinto enfraquecido, é só apertá-los bastante para que volte a sentir uma força que é indescritível, algo que me fortalece como um multiplicador de carga, me faz morder os dentes e reviver toda a vitalidade do início. Esse sentimento me traz segurança e uma extrema autoconfiança nas minhas capacidades e resistências diante dos desafios. Esses espinhos fazem com que aprenda a receber o NÃO e revertê-lo em adrenalina e superação de um desafio, fazem com que uma seqüência de retornos negativos se torne motivação e aumente a minha autoconfiança. Mas não creio que isso aconteça só comigo. Creio que é muito maior do que imaginamos o número de pessoas que diante de tais situações raciocinam estrategicamente, criando um escudo ao desânimo e aumentando a proteção para não haver entrega de uma batalha. Por que as dificuldades fazem com que aprendamos a servir sem querermos o retorno imediato; fazem-nos perceber que é melhor sermos enganados do que enganarmos; ajudarmos em vez de precisarmos de ajuda; doarmos antes de recebermos doação; ensinarmos tudo o que já foi aprendido e estarmos abertos e humildes diante de críticas e aprendizagens alheias. Quem ainda não conseguiu tirar os espinhos que traz do passado deve fazê-lo de imediato, ainda que isso lhe cause muitas dores. Porque depois a satisfação e o orgulho serão imensos, permitindo-lhe tornar-se uma pessoa mais segura, mais confiante em suas capacidades.

Marcelo Ponzoni

nov
23

Alguns dos atributos que nos definem hoje certamente foram moldados por profundos momentos de subestimação —até por aquela atitude de “engolir um sapo” —, por fatos dramáticos reais causadores dos mais profundos sentimentos, por sinucas vistas como sem solução e por diversas informações captadas por todos os nossos canais sensoriais.

Entre as pessoas, alteram-se as interpretações sobre o que é simples e o que é complicado, ou o que é demorado e o que é rápido. E raramente levam a refletir o que a facilidade ou a complexidade de uma tarefa tem a ver com seu próprio desempenho. Muitos não percebem que a maneira como você reage diante dos acontecimentos —principalmente os mais complicados —é o que define integralmente o seu sucesso ou insucesso. Estar tudo bem pode muito bem significar que nada está bem. Quando nossa percepção define um momento de estar tudo bem pode significar o fim de um ciclo e que outro necessita ser iniciado… a calmaria deveria ser vista como uma ameaça de acomodação. Muita gente confunde ambição com ganância e, nesta confusão, acaba tomando atitudes conflitantes com os objetivos pretendidos, o que gera sentimentos de fracasso.

Voltando a fazer analogia com um carro, é como se investisse muito em um potente motor, acreditando que a velocidade é o mais importante, deixando a capacidade do sistema de freios desproporcional à potência. Nem é preciso falar do resultado no final da reta. Muitos bradam aos quatro ventos: crescer, crescer, crescer. Mas poucos proferem: planejar, planejar, planejar. Intuitivamente, todos nós somos planejadores de nossas vidas, mas, como todos nós sabemos, entre planejar e executar há um grande hiato, que só se preenche com o exercício da ATITUDE. Só ela e mais ninguém tem o poder de transformar sonhos em realidade, esperanças em acontecimentos, vontades em conquistas, quer em tempos de crise, quer em tempos de bonança.

É necessário agir, refletir, planejar tanto em tempos de crise quanto nos tempos da colheita de resultados. Se nos acomodarmos com os bons resultados, cruzarmos os braços diante deles, certamente estaremos fadados ao fracasso. O terreno deve sempre estar preparado para novos plantios, se desejarmos ter sempre bons frutos.

 

Marcelo Ponzoni

nov
12

Se existe algo que marca nossas carreiras é sempre o primeiro dia de trabalho numa empresa. No geral, o tipo de comportamento das pessoas nesse que é o primeiro encontro com o novo ambiente e novas pessoas se caracteriza como um dia muito diferente dos dias vividos no cotidiano.

Vamos começar pelo dia anterior, quando a ansiedade toma conta de nossas emoções. Uma série de conjecturas nos invade, criando uma imensidão de cenários: Como será o ambiente? Como serão as pessoas? Será que meu chefe é legal como me pareceu na entrevista? Será que a cobrança vai ser grande? Será que irei causar uma boa imagem?

Um monte de “serás” paira sobre nossa cabeça, além de uma atenção especial para a escolha de roupa, o jeito do cabelo, a demonstração de segurança com  o sorriso no rosto, a autoconfiança, a predisposição… a pontualidade do despertador. Tudo preparado para o grande dia: o amanhã.

E quando ele chega, surge a grande chance de fazer dele a grande oportunidade da nossa vida: um  dia especial , de apresentação a novos colegas, sorriso constante e um ar de interrogação; acomodação no espaço que nos foi destinado; aproximação com o departamento; troca de idéias para as primeiras percepções; entre outras atividades que marcam esse momento.

Normalmente utilizamos tudo o que temos de melhor, seja no aspecto físico, seja no técnico, seja no neurolingüístico. Procuramos inconscientemente esconder todas as nossas deficiências e nossas incapacidades, imaginando que conseguiremos enganar a todos por muitos e muitos anos… Infelizmente, somos transparentes, e nossas características reais serão conhecidas, quer aceitemos quer não… não conseguimos manter nossa aparência do primeiro dia, quando colocamos para fora tudo o que temos de melhor, inclusive nossa paciência e nossa bondade.

Na verdade, deveríamos congelar esses momentos e replicá-los por todos os dias de nossas vidas, pois, com o passar do tempo deixamos de lado tudo aquilo que nos fez ser uma pessoa melhor: deixamos de nos arrumar tanto; deixamos de ser detalhistas; deixamos de ser solícitos e despretensiosos, deixamos de ser compreensivos e prestativos, deixamos de ser sorridentes e facilitadores; deixamos de nos importar tanto com o que as pessoas acham do nosso comportamento; deixamos nossas deficiências e incapacidades aflorarem; perdemos o entusiasmo; perdemos a vontade; perdemos o ânimo; perdemos a compaixão e, claro, perdemos uma grande oportunidade na vida, que é a de sermos todos os dias um grande ser humano como conseguimos ser no primeiro dia de nosso trabalho em algum lugar.

Mas não só. Seja em 10, seja em 15, seja em 20 anos de empresa, precisamos procurar não apenas ser o que fomos no primeiro dia, mas sermos mais do que fomos anteriormente. Precisamos procurar ser melhores como pessoa e com as pessoas. Precisamos cuidar da nossa imagem e gerar uma percepção cada vez mais positiva. Precisamos estar mais entusiasmados e motivados, ainda que o desafio de hoje seja maior do que o de ontem.

Precisamos transmitir mais firmeza e mais autoconfiança. Precisamos ser mais generosos, mais prestativos. Precisamos servir mais do que querer mais servidão.  Precisamos aprender a aceitar nossas falhas e fraquezas, trabalhando para repará-las.

Se mantivermos esse princípio sempre em mente, os frutos não decepcionarão: na verdade, surpreenderão os resultados.

Fazer do primeiro dia o espelho de todos os outros deve ser o lema!

Marcelo Ponzoni