Eu só queria uma mesa
faculdade da vida – pensamentos forjados em 21 anos de empreendedorismo

Nov
12

Se existe algo que marca nossas carreiras é sempre o primeiro dia de trabalho numa empresa. No geral, o tipo de comportamento das pessoas nesse que é o primeiro encontro com o novo ambiente e novas pessoas se caracteriza como um dia muito diferente dos dias vividos no cotidiano.

Vamos começar pelo dia anterior, quando a ansiedade toma conta de nossas emoções. Uma série de conjecturas nos invade, criando uma imensidão de cenários: Como será o ambiente? Como serão as pessoas? Será que meu chefe é legal como me pareceu na entrevista? Será que a cobrança vai ser grande? Será que irei causar uma boa imagem?

Um monte de “serás” paira sobre nossa cabeça, além de uma atenção especial para a escolha de roupa, o jeito do cabelo, a demonstração de segurança com  o sorriso no rosto, a autoconfiança, a predisposição… a pontualidade do despertador. Tudo preparado para o grande dia: o amanhã.

E quando ele chega, surge a grande chance de fazer dele a grande oportunidade da nossa vida: um  dia especial , de apresentação a novos colegas, sorriso constante e um ar de interrogação; acomodação no espaço que nos foi destinado; aproximação com o departamento; troca de idéias para as primeiras percepções; entre outras atividades que marcam esse momento.

Normalmente utilizamos tudo o que temos de melhor, seja no aspecto físico, seja no técnico, seja no neurolingüístico. Procuramos inconscientemente esconder todas as nossas deficiências e nossas incapacidades, imaginando que conseguiremos enganar a todos por muitos e muitos anos… Infelizmente, somos transparentes, e nossas características reais serão conhecidas, quer aceitemos quer não… não conseguimos manter nossa aparência do primeiro dia, quando colocamos para fora tudo o que temos de melhor, inclusive nossa paciência e nossa bondade.

Na verdade, deveríamos congelar esses momentos e replicá-los por todos os dias de nossas vidas, pois, com o passar do tempo deixamos de lado tudo aquilo que nos fez ser uma pessoa melhor: deixamos de nos arrumar tanto; deixamos de ser detalhistas; deixamos de ser solícitos e despretensiosos, deixamos de ser compreensivos e prestativos, deixamos de ser sorridentes e facilitadores; deixamos de nos importar tanto com o que as pessoas acham do nosso comportamento; deixamos nossas deficiências e incapacidades aflorarem; perdemos o entusiasmo; perdemos a vontade; perdemos o ânimo; perdemos a compaixão e, claro, perdemos uma grande oportunidade na vida, que é a de sermos todos os dias um grande ser humano como conseguimos ser no primeiro dia de nosso trabalho em algum lugar.

Mas não só. Seja em 10, seja em 15, seja em 20 anos de empresa, precisamos procurar não apenas ser o que fomos no primeiro dia, mas sermos mais do que fomos anteriormente. Precisamos procurar ser melhores como pessoa e com as pessoas. Precisamos cuidar da nossa imagem e gerar uma percepção cada vez mais positiva. Precisamos estar mais entusiasmados e motivados, ainda que o desafio de hoje seja maior do que o de ontem.

Precisamos transmitir mais firmeza e mais autoconfiança. Precisamos ser mais generosos, mais prestativos. Precisamos servir mais do que querer mais servidão.  Precisamos aprender a aceitar nossas falhas e fraquezas, trabalhando para repará-las.

Se mantivermos esse princípio sempre em mente, os frutos não decepcionarão: na verdade, surpreenderão os resultados.

Fazer do primeiro dia o espelho de todos os outros deve ser o lema!

Marcelo Ponzoni

 

Nov
10

Pobres de nós que, por diversos dias de nossas vidas, temos a firme convicção, ao finalizar nossas tarefas diárias, de que cumprimos com todas as nossas obrigações, de que construímos, com bases sólidas e certeiras, tudo que idealizamos e objetivamos pôr em prática.

Raramente paramos e olhamos a nosso redor para verificar que, hoje, pouquíssimas são as pessoas que podem ter certeza de que algo é realmente sólido, perene, de bases inabaláveis. As mudanças do momento que estamos vivendo acontecem independentemente de nossa vontade… Enquanto estamos parados, acreditando que nada muda, que tudo caminha exatamente como caminhava no dia anterior, grandes transformações estão ocorrendo, às vezes, até bem próximo de nós.

E, embora tentemos nos esquivar ao máximo de algumas mudanças, não temos o mínimo controle sobre os caminhos em que somos colocados.

Acreditar que estamos procedendo de maneira cem por cento correta pode nos causar a ilusão de que nossas atitudes são as melhores, porque estamos bem-intencionados… mas nossas atitudes podem, muitas vezes, nos colocar diante de verdadeiros abismos, porque não nos preparamos de forma suficiente para mudanças de perspectivas que forças exteriores nos impõem e, nesse momento, nossa auto-segurança pode ficar abalada.

É certo que existem pessoas de diversas características, que umas arriscam mais e que outras arriscam menos.  Mas todos nós precisamos nos habituar a refletir sobre nossos pensamentos, falas e ações, levando em conta o mundo em que vivemos. Só assim, em um presente de incertezas, poderemos alicerçar parte do nosso sucesso futuro. Precisamos pensar objetivamente, falar com comprometimento e atuar com sincronia. E não só porque os tempos são de mudanças. Mas porque também as pessoas mudam com o tempo. Não podemos ser ingênuos a ponto de não percebermos que a realidade a nosso redor é diferente do mundo que construímos só para nós.

Marcelo Ponzoni

Out
09

Vez ou outra é necessário pararmos alguns minutos para darmos conta de que talvez há alguns dias, semanas, ou mesmo meses, temos vivido automaticamente. Temos olhado para tudo, mas não temos enxergado nada; temos ouvido muitas coisas, mas não temos escutado nada; temos respirado o tempo todo, mas não temos sentido cheiro algum; temos falado sem parar, mas não temos dito palavras de afeto e amor; temos tocado em tudo, mas não temos sentido nada; temos nos alimentado, mas não temos saboreado o gosto dos alimentos.

                Na verdade, o dia-a-dia de nossas vidas cria várias barreiras em nossos canais sensoriais, fazendo com que nos tornemos verdadeiros andróides, meros passageiros, não condutores de nossas próprias vidas. Precisamos parar e prestar mais atenção às nossas atitudes. É necessário parar alguns minutos para relaxar, respirar fundo, ouvir uma música suave e sentir não só as emoções do momento, mas outras já vividas. É muito grande o prazer de reviver emoções, de evocar na memória aquelas que foram tão importantes em nossa trajetória.

                No nosso corre-corre deixamos de viver sensações importantes.  Porque vivemos como loucos, alucinados, correndo de lá pra cá, sem parar um só minuto para conviver com o silêncio. Porque automatizamos nossas ações, passamos dias, semanas, meses, praticando os mesmos atos —levantar, escovar os dentes, tomar um café em pé, sair para trabalhar, percorrer uma grande distância de carro sem reparar nas pessoas, nas avenidas, se há ou não uma árvore florida, almoçar rapidamente, voltar para o trabalho, regressar para casa, ver umas bobagens na televisão, dormir, recomeçar a rotina —, sem um momento sequer para nós mesmos, sem um bate-papo com um amigo, sem uma brincadeira com nossos filhos, sem um telefonema para nossos familiares. Porque nos transformamos em autômatos, paramos de prestar atenção às pequenas coisas que estão ao nosso redor, de ter sensações que são essenciais para o nosso bem-estar.

É necessário conversar prestando atenção nos olhos das pessoas, no sorriso amoroso de nossos familiares, no aperto de mão de nossos amigos. Precisamos dizer para nossos pais o quanto os amamos —ainda que seja por telefone —, beijar e apertar mais nossos filhos em abraços carinhosos (eles crescem tão rápido!), tratar as pessoas no trabalho com mais carinho e respeito (quem não gosta de começar o dia com um cumprimento? quem não gosta de um elogio pelo trabalho bem-feito?) e —o mais importante tudo — gostar mais de nós mesmos, dar mais atenção ao que pensamos, ao que sentimos, ao que intuímos. Vamos começar a cuidar de nós agora mesmo. Não podemos esperar mais, já perdemos muito tempo.

Marcelo Ponzoni

Out
08

O grande anseio de todos nós é ouvir o SIM, mas, para cada sim, a média de NÃOs chega a 30 vezes —isso quando colocado de maneira geral, e para todos os assuntos que nos rodeiam. Há uma grande resistência mesmo à possibilidade de receber um NÃO —e esta pode ser uma das maiores falhas do ser humano.

Refiro-me aqui principalmente àquele NÃO que se refere ao fato de não gostar de ser contrariado, de não gostar de assumir os erros, de não reagir positivamente às críticas, em especial àquelas que nos agridem, mas que, na maioria das vezes, têm um fundo de verdade.

O NÃO, tenho de convir, é péssimo. Não conheço ninguém que goste dele e acredito mesmo que nossa resistência a ele já vem da infância —aliás, esta é uma das palavras mais proferidas por nossos pais. Contudo, sem ele não teríamos limites nem questionamentos, não iríamos parar para repensar posições, nem daríamos a importância real ao valor do SIM.

 As reações ao NÃO costumam variar de pessoa para pessoa, mas, dentro do grupo, nosso comportamento é avaliado pela referência estabelecida principalmente pela liderança e por todos os que expressam capacidades de liderança —aqueles que são queridos dentro dos grupos. Assim, todo e qualquer comportamento que esteja fora dos padrões que o próprio grupo estabeleceu acaba sendo visto com maus olhos, provocando, dessa forma, algumas percepções que, com certeza, não são aquelas que a pessoa pensou ter gerado. Como, quando logo que proferida, a palavra NÃO causa nas pessoas uma resistência natural, tanto das lideranças quanto dos grupos, deve haver um grande esforço para que seja criar uma cultura onde o NÃO, em vez de resistência, desencadeie reação de atenção: ou de procurar repensar nossas próprias atitudes ou de procurar tentar ouvir as razões do outro.

Esse é um assunto que eu considero dos mais importantes na formação, na conduta, na percepção e na construção pessoal e corporativa de uma pessoa, por isso, embora não goste de dar conselho, se eu tivesse que dar um, eu diria:

 

 COMECE A GOSTAR DO NÃO E PRESTE MUITA ATENÇÃO ÀS SUAS REAÇÕES DIANTE DELE. PORQUE NO NÃO MORA UMA DAS MAIORES FONTES DE APRENDIZADO.

Marcelo Ponzoni

Out
01

Ao observar as crianças, vemos nelas o ímpeto da liberdade e da independência. À medida que vamos acompanhando seu crescimento, percebemos que, pouco a pouco, vão caindo em uma cilada, fato comum às crianças de todo o mundo: o homem, em função das necessidades criadas por ele mesmo, vai abrindo mão de seus desejos mais primitivos de autonomia e aprisionando sua própria vida. Lutar contra essa prisão é, aparentemente, um desejo universal, mas poucos conseguem, pois o preço a pagar, na maioria das vezes, é insuportável.

Lembro-me de que, quando abri a Rae,MP, aos 22 anos, a imensidão de aprendizagem e descobertas que havia à minha frente era algo imensurável. Poderia ter-me sentido tolhido se tivessem me apontado todos os obstáculos que viria a enfrentar, mas, como ninguém me falou que era impossível, consegui vencê-los e chegar até aqui. Sempre fui daquelas pessoas que não se importam se já tentaram algo inúmeras vezes, se suas tentativas deram certo ou não.

 Acredito que tudo, em todos os momentos e em todos os lugares, pode se apresentar de forma totalmente diferente para uns e para outros, e que a maior diferença seja quem está fazendo. Por alguns anos vivi da esperança, esperança que fazia com que acreditasse que um fio de cabelo pudesse segurar um elefante. Algo bastante surrealista, mas só assim posso traduzir o tamanho da minha crença na construção da minha empresa. Hoje penso que dinheiro algum neste mundo poderia fazer uma pessoa se dedicar e acreditar tanto em uma coisa como eu acreditei e continuo acreditando na Rae,MP. Minha escola, minha faculdade, minha pós-graduação foram passadas nesta empresa de maneira prática, com as provas que a vida me impôs. Nos resultados saíam as notas que ora me reprovavam com punições e grande aprendizado, ora me empurravam para os próximos anos que já sinalizavam provas mais difíceis.

A missão se desenhava na luta pela sobrevivência e na otimização das conquistas para abastecer a motivação própria, eu me agarrava em oportunidades e perspectivas como se fossem cipós, e ia em frente. Criar trincheiras sempre foi meu grande objetivo, para que, em alguns raros momentos, pudesse recuperar forças e olhar para trás. Era quando percebia o que já fora percorrido, desfrutava o orgulho pelo que havia conquistado com o passar dos anos e me sentia motivado a dar continuidade ao meu trabalho. Confesso que olho pouco para trás, pois o futuro de minha empresa está à frente, mas o passado me gera referência e orgulho, enquanto o presente me consome criando oportunidades para o amanhã. Após 21 anos continuo livre, fazendo dos meus dias realmente os meus dias, tendo a liberdade de agir do meu modo e como eu gostaria que fosse, e esse sentimento de liberdade não tem preço, nem pode ser avaliado por quem não está envolvido de fato numa determinada gestão.

Marcelo Ponzoni

Set
28

Gerir uma empresa com parte da base de decisões apoiada em raciocínios intuitivos implica, diretamente, a capacidade de seus líderes mensurar riscos e oportunidades, tentativas e erros. Podemos fazer, em linhas gerais, um paralelo da intuição com qualquer modalidade de esporte: treino constante, disciplina e determinação geram habilidades que diferenciam uns atletas de outros atletas.

A mente intuitiva muitas vezes toma decisões não compreendidas, mas que já estão inseridas num cenário maior. A intuição deflagra atitudes antecipadas que se ligam logo à frente. O jogo da intuição instiga, pois é arriscado e emocionante: seus frutos colocam o gestor à prova e, na conta final, entre acertos e erros, os resultados começam a surgir, ora fisicamente, ora no aprendizado da vida.

A intuição sempre gera resultado. Confiar nela demonstra convicção, segurança e responsabilidade. Muitas vezes intuição demora a gerar resultados, sendo necessário esperar para aflorarem seus valores de crença e determinação.

Intuir para decidir é divertido, causa frio na barriga e muita ansiedade. Reflete a coragem daquele que a explora e expõe seus aprendizados ao mundo real.

Praticamente todas as pessoas têm essa capacidade, mas muitos a escondem ou se amedrontam diante da sua forte presença, sendo poucos os que transformam em realidade as idealizações e fortalecem os paradigmas diante dela.

Um bom exercício é experimentar brincar com a intuição em assuntos menos importantes e começar a abusar dela, sempre mensurando a própria capacidade de suportar possíveis erros. Os resultados podem ser surpreendentes. As chances daquilo que se intuiu se tornar realidade é sempre de 50%, e isso é no mínimo animador.

Vá em frente! Acredite em VOCÊ. Aposte em sua intuição. Sempre.

Marcelo Ponzoni

Set
25

Somos pura intenção. No fundo não nos mexemos se não for por uma intenção, um motivo.

 Nossas ações são estimuladas por intencionalidade e muitas vezes são processadas de maneira tão rápida que, antes mesmo de pensarmos, já estão concretizadas, e na hora não nos damos conta do que foi que as motivou.  Isso acontece por questionamentos e percepções que, muitas vezes, ficam em nosso subconsciente aguardando a melhor hora e o momento mais adequado para serem deflagradas.

 Nós nos levantamos por uma obrigação de gerar para sobreviver; nos arrumamos adequadamente para causar uma ótima impressão em razão de oportunidades; somos gentis para recebermos gentilezas, e assim por diante. As questões que nos desafiam estão ligadas às nossas inseguranças, aos nossos medos e riscos. Por isso muitas vezes somos reativos, soltamos farpas em nossas palavras, procuramos convencer pares e receber afirmações e apoio àquilo que desejamos que seja confirmado, numa espécie de busca sentimental para nossas fraquezas.

 Ter certeza de nossos atos nos dias de hoje é algo que só ocorre aparentemente, pois temos vivido dias de incertezas, inúmeras perguntas pairam sem respostas… Mas o mundo nos cobra posições. Ninguém gosta de mais ou menos, as pessoas buscam pelo sim ou pelo não, e ter um posicionamento expõe definitivamente o seu lado: a coragem é esperada e necessária nas relações.

 Todos nós buscamos verdades e temos responsabilidade diante delas. Palavra para mim é promessa, e promessa só é verdadeira com total entrega. Meia entrega distorce a promessa, que jamais poderá ser 50%. Digo sempre que precisamos tomar cuidado com as palavras proferidas, pois elas não voltam à boca e, após soltas, podem mudar muito o rumo das coisas.

 Como no caso de um casal com mais de 4 anos de convivência, sonhos, carinho, amor e entrega, muita entrega. Namoro de perfeita cumplicidade. Poucos meses após o casamento oficial, porém, um dos lados solta as seguintes palavras: “Não sei se é bem isto que eu quero para minha vida”. Uma frase com 12 palavras que, ao serem pronunciadas, alteram por completo anos de confiança mútua: a dúvida toma os espaços e dali em diante passa a pairar sobre o casal. A relação esfria em instantes: com apenas 12 palavras desabam milhares de sonhos, de projetos de vida em comum. A parte afetada instantaneamente inicia um processo de questionamento profundo, acompanhado de frustração, dor, ressentimento, vazio… um sentimento que faz lembrar a canção de Maísa, “ Meu mundo caiu”.

 Às vezes, sem percebermos, deflagramos mudanças inimagináveis nas pessoas ao soltar pouquíssimas palavras. Nada mais prudente, então, do que esperar 10 vezes mais na hora de dizer ao próximo palavras aparentemente simples que possam lhe provocar reações traumáticas. Mais uma vez, vale a máxima: “Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você”.

 No fundo somos  falhos nessa avaliação, pois sabemos – e muito – o que nos provoca mudanças no sentimento. Particularmente, tenho total humildade em reconhecer que cometo esse erro com razoável frequência.

 Acho que é por isso que os mais sábios são os que menos falam. Introspectivos, avaliam suas intenções antes de proferir uma palavra mais comprometedora. Preferem ouvir e aprender na escola VIDA, onde as aulas jamais terminarão.

 

Marcelo Ponzoni

Set
24

Para quem teve a sorte de nascer em um bom berço de família, há um período em que sua situação é de mero passageiro, mas, mesmo nesta condição, pode ter de sair do carro ou ser jogado dele sem ter ainda atingido a mínima condição de empurrá-lo e —quem dera! —de dirigi-lo! Utilizo esta metáfora para deixar mais claro o que entendo seja a vida de muitas pessoas. Dentro da normalidade, nascemos como passageiros de carros que foram adquiridos na maioria das vezes por nossos pais, mas, dependendo da educação que vivenciamos, com o passar do tempo somos colocados para ajudar a empurrar e, logo mais adiante, até mesmo para dirigir…

No meu caso, fui passageiro até os 15 anos e, de repente, fui jogado do carro sem entender muito bem o que estava acontecendo. Logo percebi, porém, que não existia outra situação senão a de começar a empurrar meu próprio carro —ficar na condição de passageiro em troca de algumas empurradas não era a minha vocação. Assim não me restou outra saída senão a de iniciar minha jornada, ainda que a princípio a pé, mas sempre tendo a convicção, ao ver pessoas ora dirigindo carros, ora os empurrando, de que um dia eu teria o meu próprio carro e seria responsável pelos rumos que ele tomaria.

Quando, após alguns anos, mas ainda jovem, encontrei meu carro, comecei a empurrá-lo, sempre acreditando que um dia eu iria dirigi-lo. No início, empurrar —e, depois, dirigir —era tarefa árdua, pois, ao largar o volante, o carro logo se desgovernava. Era um tal de empurra-dirige-empurra-dirige que, quando percebia, estava no mesmo lugar… Percebi, então, que precisava ter quem me auxiliasse, pois, sozinho, poderia perder o rumo. Assim, com o tempo fui contratando colaboradores para assumir a tarefa de empurrar, para que eu pudesse ficar por um tempo maior na direção, mas logo compreendi que, quando ficava só na direção, a velocidade diminuía, o carro quase chegava a parar, então lá ia eu novamente para o empurra-empurra.

Os anos passaram e mais colaboradores fui arregimentando para continuar empurrando… E novamente ficou claro que, mesmo com mais colaboradores, além de dirigir, eu ainda precisava empurrar, principalmente com um grupo maior nesta condição. Comecei a constatar que alguns, volta e meia, no meio do tumulto, decidiam sentar no banco do passageiro, certos de que ninguém enxergaria sua acomodação. Claro que isso não durava muito, mesmo porque, nesta altura da viagem, já passados diversos anos, eu, como condutor, tinha ampla visão do que estava à minha frente —e, diga-se de passagem —ainda não havia passeado na condição de passageiro um só dia, principalmente a partir do momento em que o carro começou a embalar: agora não havia como freá-lo, e a responsabilidade pelo seu rumo tinha se tornado ainda maior.

Desde o momento em que comecei a dirigir meu próprio carro, quase 20 anos se passaram, e a maior lição que aprendi foi que jamais poderei deixar de empurrar. Mesmo que nos dias de hoje o carro necessite impreterivelmente de alguém para dirigi-lo, a vida me mostrou que, se quero ver o meu carro andando por muitos e muitos anos, precisarei sempre largar a direção para continuar empurrando, e só vez ou outra posso ocupar o assento do passageiro… Na verdade, o banco do passageiro está reservado para aqueles que além de empurrar, agüentam os solavancos das viagens de rotina. Esses podem —e devem —desfrutar alguns poucos dias esta condição de apreciar a paisagem, ao mesmo tempo em que podem olhar para quem está empurrando ou dirigindo o carro e para onde ele está sendo conduzido.

Marcelo Ponzoni

Set
14

 

Às vezes, por pressão do dia a dia, acabamos nos fechando em nosso micromundo, um mundo do ego, digo, do egoísmo puro, passamos a agir e reagir com o puro instinto de nossas inseguranças, medos e defesas. Quando caímos nessa armadilha, na maioria das vezes não percebemos nem mensuramos a intensidade e o fervor de nossas ações. Passamos a nos entregar ao total descontrole de nossas emoções e atos. São sintomas de copo cheio, dia de fúria, de não aguento mais… limites que nos colocamos para justificar nossa falta de controle. De repente, sem que percebamos, estamos jogados ao acontecimento, reagimos como animais irracionais, nos defendemos de nossas incapacidades diante dos desafios com aumento no tom de voz, semblante rasgado e tantas outras características que o corpo deflagra no momento do limite.

Se houvéssemos parado um instante e tivéssemos levantado a cabeça, pode ser que tudo que fizemos tivesse gerado outro caminho, caso percebêssemos que aquele momento é só um pico, que não somos assim ­­– nem poderíamos –,senão já estaríamos numa cama há muito tempo.

Quando sinto que as pessoas estão perdendo o controle, ainda que seja por um motivo justo, me faço várias perguntas, procurando respostas para entender o motivo daquele procedimento tão diferente. Por muitos anos acompanhei as diferentes fases de pessoas, e pude perceber quão grandes são as oscilações na vida de cada um. Comportamentos, paciência, tolerâncias se transformam com o passar do tempo. É como se fôssemos pessoas diferentes a cada fase da vida. Por diversos motivos, definimos até que limite aguentamos ou aceitamos cada assunto. As influências das gerações e das situações civis alteram totalmente nossas crenças e maturidade.

Aprendi que, para manter relações sadias e crescentes, é preciso nos colocarmos rapidamente no papel do ouvinte e, ainda que com certa dificuldade, tentar entender como a pessoa irá receber e interpretar nossas opiniões. Outro dia mesmo, num desleixo, acreditando que tinha uma abertura para apresentar um ponto de vista a um parceiro profissional, tomei uma atitude impulsiva e depois me chegou a informação de que a pessoa não gostou da maneira como falei, me sentiu sarcástico. Na hora ironizei a percepção, mas, depois, com muita humildade, retornei a cena em minha cabeça e aceitei a crítica. Realmente havia sido sarcástico. No fundo, por algum motivo havia me irritado com uma colocação sem sentido sobre uma peça publicitária. Na verdade, não havia parado um só segundo para avaliar com quem realmente estava me irritando. Quem se ressentiu foi um gerente de vendas cuja formação e atuação nada tinham a ver com este mundo maluco das ideias, ele não tinha nenhuma obrigação de entender aquilo na velocidade que eu gostaria. Era minha a obrigação de, com calma, tentar entender os reais motivos da sua visão. Primeiro ouvir com atenção sua interpretação e depois, com muita calma e cautela, tentar explicar os motivos pelos quais havia feito dessa maneira. Naquele momento me senti pequeno e, mais do que sarcástico, me senti arrogante e autor de um comentário desnecessário. Confesso que fiquei aborrecido comigo mesmo.

Quantas vezes você se lembra de ter avaliado suas posturas diante das pessoas? Quantas vezes você se julgou e se condenou culpado por seus atos? Infelizmente achamos que somos os melhores, achamos que tudo o que falamos está 100% correto, somos crentes de nossa superioridade diante do próximo. Pobres de nós!!! Temos a capacidade de julgar, de apontar a todo momento, o tempo inteiro, mas não temos a mínima capacidade de vencer nossa prepotência pessoal. A vida está diante de nós nos colocando todos os ingredientes necessários para que possamos avaliar nossos atos e pensamentos.

Dediquei a vida à minha empresa, acreditando que a felicidade e o bem-estar fossem a primeira bandeira por que todos iriam lutar. Minhas forças são intermináveis nesse sentido, estou muito longe de aceitar outro modelo. Estou forçando mudanças necessárias dentro dos meus entendimentos, estou abrindo a guarda de meus ideais para que isso aconteça, mas ninguém pense que a negatividade e as desavenças serão aceitas para sempre, sou paciente e, digamos, submisso a pressões. Uma coisa eu posso dizer com toda franqueza: sou uma pessoa desprendida e persistente em meus objetivos, beirando à obstinação, não aceito desavenças e não concordo com elas, mas entendo os momentos e as situações que por ora acontecem. Só não irei permitir que esses momentos virem rotinas intermináveis. Vivemos aqui a maior parte de nossas vidas, temos abrigo, oportunidade e apoio. Esta é a nossa casa e a ela devemos respeito absoluto. Temos aqui, e agora, a chance de sermos maiores e melhores, como pessoas e como profissionais. É preciso entendermos isso por definitivo. A pressão da vida está grande aqui e em todos os lugares do mundo, vivemos a era de muitas perguntas e pouquíssimas respostas, a dúvida é presente e constante. Às vezes paramos e nem entendemos por que estamos nervosos ou irritados, batemos em pessoas que amamos, acreditando que elas possam nos perdoar com maior facilidade.

Somente nós – e mais ninguém – temos o poder de assumir as nossas próprias rédeas e, assim, domar os nossos mais selvagens instintos de defesa.

BRINQUE MAIS, SORRIA MAIS, BEIJE MAIS, FAÇA MAIS SEXO, OUÇA MAIS MÚSICA EM VEZ DE NOTÍCIAS, GRITE SOZINHO, OLHE nos olhos DAS PESSOAS COM MAIS PROFUNDIDADE, PEÇA MAIS DESCULPAS, DIGA MAIS VEZES POR FAVOR E COM LICENÇA, PERDOE MAIS, ABRACE AS PESSOAS POR MAIS DE UM SEGUNDO AO CUMPRIMENTAR, DÊ MAIS CARINHO A TODOS QUE O CERCAM, DÊ BALAS, COMA MAIS DOCE.

Tenho certeza de que se você se esforçar com todas essas coisas, sua alma irá agradecer. Pode ser que ela esteja lhe pedindo tudo isso e você nem esteja percebendo.

 

Respire bem fundo e mãos à OBRA: a escolha de suas atitudes é só sua. Tome as rédeas e conduza o seu cavalo para o caminho que você quer.

 

 

Boa lhe seja a vida!

 

Marcelo

Set
08

Semelhantes às reações que temos em nossas vidas são as dos ambientes corporativos, pois todas as empresas são formadas por pessoas que, juntas, às vezes de forma massificada, definem o comportamento da empresa. Às vezes me pergunto por que as pessoas não agem, não tomam atitude diante das oportunidades, por que esperam ser mandadas, mesmo vendo que poderiam estar fazendo algo sem ser solicitado… Aliás, esse é o ponto que realmente faz com que pessoas proativas se diferenciem das reativas.

Seria a vontade, o entusiasmo, ou seriam os propósitos, as motivações, que fazem com que as pessoas sejam famintas por seus ideais? Sinto que muitas vezes me falta muito aprendizado para entender os reais motivos que diferenciam os seres diante das mesmas situações. Não posso ser hipócrita e afirmar que não sou nem um pouquinho preguiçoso sobre determinados assuntos, principalmente de ordem particular, mas freqüentemente vejo pessoas exercendo seus papéis de forma tão automática, tão sem entusiasmo, sem colocar nada de si no trabalho que desenvolvem, que eu mesmo acabo ficando estático… A preguiça do ser humano é algo a ser combatido todos os dias com unhas e dentes. Sou uma pessoa que se cobra muito, não me conformo muitas vezes em ver as oportunidades passar sem me jogar por inteiro diante delas, a fim de transformá-las em conquistas reais.

Se deixo passar alguma oportunidade é por que não me dei realmente conta dela naquele momento, por algum motivo não a vi diante de mim… É provável que o que acontece comigo aconteça com várias pessoas, que elas também não vejam a oportunidade passar —da mesma maneira que as critico, posso estar sendo criticado por pessoas mais astutas que eu. Às vezes leio casos de grandes empresários que foram muito além em seus resultados porque enxergaram possibilidades no que estava bem próximo, tão próximo que ninguém mais viu, quase como se a proximidade levasse a pessoa a ficar completamente cega. Esses homens sã visionários, têm um tipo de capacidade que é pouco entendida pelas pessoas que lhes estão próximas.

Não podemos deixar de registrar que todos eles têm características comuns que os diferenciam dos demais, e uma delas é desconhecer o significado literal e figurado da palavra preguiça. Assim como todos têm a predisposição de tentar, independentemente do resultado… Empreendedores visionários são seres dotados de alta convicção, aptos ao acerto pela sinergia desprovida do pessimismo e dos achismos precoces. Se, como aponta o dicionário, preguiça é a inatividade de uma pessoa, aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço físico, um tipo de procrastinação, é lamentável que muitos sejam seus adeptos. É realmente difícil aceitar que existam pessoas preguiçosas diante de oportunidades que estão bem diante de seus olhos, que não fazem nenhum exercício para desenvolver a percepção e aproveitar as oportunidades que lhes surgem, que se deixam levar pela PREGUIÇA, pela má vontade, pelo descaso.

Só há algo que incomoda mais do que a preguiça do ser humano: é quando este comportamento atua de forma conjunta, em equipe… Daí é imensurável o tamanho do estrago que pode causar a uma empresa, além de ser um péssimo exemplo aos que estão remando com afinco. Mas muitas vezes há exceções, há ações. É quando o preguiçoso convicto espera de maneira gatuna alguém ver a oportunidade para ele pular na frente e fazer. É aquele espertalhão que fica atento para os predispostos de plantão… para agir nestas situações, jamais falará em preguiça.

Marcelo Ponzoni